Enquanto

Há dias bons, outros nem tanto.

Momentos em que somos fortes; em outros, ataranto.

 Há as horas da paciência, da quietude da alma, dos risos e do descanso.

Outras, de entretanto.

 Há horas de pranto, outras de encanto.

 Há a vida que caminha inesperada e nos ensina a esperar.

 Há o tempo que precisa passar.

 Há mais um tanto para viver.

 Há sempre um enquanto.

O que fica contido

À sombra dos meus temores, as palavras contidas se misturaram em nuvens de tempestade que trovejam sobre mim. Acordam-me dos meus sonhos e me põem a ouvi-las de forma insistente no escuro das noites.
Quero aprender a dissipar as nuvens. Quero chuva sem raios, apenas para derramar sensações de consolo. Quero sonhar sem acordar com trovões. Quero mergulhar em mim sem medo dos pesadelos. Quero que as palavras contidas extravasem a conta gotas.

Circunspeção

Outro dia

Amanhece claro

A doer os olhos.

Há cantorias pelos telhados

E pelas calhas, saltitantes.

Há o aroma do vento

A deixar seu perfume

Fresco sobre a pele.

E as folhas das árvores

A sacudir os pensamentos

Mais banais.

Há o azul infinito

Que convida

A deitar sobre o nada

Fechar os olhos

Frear os pensamentos

Calar as vozes

E esquecer por um longo momento

A cegueira alheia

E o desespero da sensatez.

Sinto-me perdoada

Sabe lá Deus do quê.